sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Yes, Brazil!






Para ilustrar nosso dia, os desenhos da Mariana Massarani.


Se você me conhece sabe que minha lista de freqüência já foi um campo de celebridades. Houve um semestre que eu tinha, na mesma turma, nada menos que Nixon, Clinton, Kennedy e .... Fidel.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Na corte de Henrique VIII




Eu e Rodrigo compramos a primeira temporada de "Os Tudors" e estamos mergulhados na corte do Henrique VIII. A série vem provocando polêmicas. A maior parte delas trata da infinidade erros históricos.

Hoje eu quero falar da preguiça que eu tenho de quem confunde a obra com o fato histórico.

Sabe aquela anedota? A mulher que, assustadíssima em frente a um quadro do Matisse, se desespera: "Coisa absurda, nunca vi uma mulher de barriga verde". E ganha de presente a resposta, na lata: "Minha senhora, isso não é uma mulher, isso é uma pintura." (Já ouvi o Ariano Suassuna contando essa historinha e no sotaque dele a coisa fica linda!)

Pois eu penso, mesmo, que é assim. Há que se estabelecer uma relação crítica com o que se está percebendo, é verdade. E "os Tudors" tá longe de ser uma grande maravilha: há personagens mal construídos, tramas secundárias que surgem e desaparecem sem vc entender muito pra quê, abuso de clichês. Criticar tudo isso vá lá. Mas achar uma ofensa o fato de haverem fundido as duas irmãs, e que o rei português não era velho etc, pra mim já é jogar fora a água suja com o menino e tudo. A postura crítica tem que nos permitir saborear as licenças e devaneios de quem quer que seja.

Mas .... achei legal brincar de procurar os erros históricos... e tem um monte.

E de todas as “licenças poéticas”, a que gosto mais é a respeito da composição de Greensleeves. Mesmo sabendo que não há nenhuma consistência na suposição de que Henrique VIII tenha escrito a famosa peça, achei legal. Numa cena do sexto capítulo ele tá lá, lindão, todo embevecido, compondo para a Ana Bolena a obra que serviu de base para a "Romanesca".

É como se os roteiristas me alertassem: “Andréia, isso aqui não é aula de história.”

Ps: E a menção às cabeças cortadas? Achei um barato.

sábado, 11 de outubro de 2008

O lápis amarelo do Henrique

Há um ano atrás o Henrique estava sozinho comigo aqui em casa, no escritório e veio me pedir:

- Papaiêe, me dá aquele lápis?
- qual deles Ique?

- Aqueeeele aliiií, o marrrom...
- Este aqui? Peguei o lápis marrom no pote...

- Naaaaão... o vermelho!
- Este? Mostrei o lápis vermelho...

- Não... o verde... não, é o amarelo! É o lápis amarelo!

Peguei o lápis amarelo e ele ficou embaraçado... percebi que a coisa estava na cor certa desta vez, mas não era aquilo ainda... e ele não conseguia falar o nome do que ele queria...

Demorou um tempinho raciocinando... e disse:
- Me dá aquela escova ali.

Apontando para o pincel!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Bobagens


Essa eu peguei no Desculpe a poeira do querido Ricardo lombardi.

“Minha casa é estranhamente regulada. Quando uma lâmpada queima, as outras vão junto. É um boicote que aumenta em minutos para testar a paciência. O gás da cozinha falta bem no momento da janta, e logo de madrugada, com o objetivo de me constranger ao telefone com uma lista infindável de entregadores. Se o computador estraga, o chuveiro também e o microondas sofre problemas de circuito. Confio que os aparelhos se imitam e conversam entre si. Devem reivindicar melhores condições de trabalho e uso, cobrar insalubridade, ou estão cansados das extensões e da sobrecarga indevidas. O certo é que minha casa é grevista. Insurgente. Nunca acontece de algo quebrar isoladamente. (…)” (Fabrício Carpinejar em “O fim é lindo”).

Rodrigo, com suas explicações práticas, decorrentes do seu telencéfalo desenvolvido e do seu polegar opositor, conclui peremptório que: o gás acaba,claro, na janta que é quando a gente tá usando; as lâmpadas estragam juntas porque, foram compradas juntas, na inauguração da casa. Mas eu, euzinha estou convencida de que há mesmo um complô universal dos eletroeletrônicos que acontece, especialmente, nos dias de TPM.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Lobato para a meninada de ontem


A Som Livre lançou, sem fazer alarde, um DVD com a temporada "Memórias da Emília", veiculada em 1978. Quem como eu, morre de saudades do Sítio antigo, com Reny de Oliveira, Rosana Garcia vai adorar a notícia. Parece que não está disponível em todas as lojas, somente na Saraiva e na Livraria Cultura, que já avisaram, a edição é limitada. Eu comprei o meu e a meninada aqui em casa está amando.
De verdade eu achava, lá no fundo, que tinha um certo saudosismo nesse nosso sentimento de que "no nosso tempo é que era bom". Mas agora, revendo a temporada de 1978 a gente fica se perguntando "o que é que aconteceu com televisão brasileira nesses 30 anos?" Os atores desapareceram, a qualidade do roteiro caiu absurdamente e a trilha sonora? ( essa "pelamordeDeus"). A original trazia arranjos elaborados, poesia que respeita a inteligência da criança, vozes privilegiadas. O cd original trazia grandes músicos: Chico Buarque, João Bosco, Ivan Lins e de quebra Doces Bárbaros na música "Peixe". Acho que M. Lobato que andava já cansado de tanto se revirar no túmulo, teve um pouco de sossego com esse lançamento.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Chomsky no jardim lá de casa


Estela, com 3 anos observava o jardineiro "construir" o jardim da casa nova com aquela perguntação que vocês já conhecem:

-Que que cê tá fazendo?
O moço, mineiríssimo aceita o diálogo e responde:
-Tô trabalhando com as plantinhas.
-Você tá plantando?
-Isso mesmo!
E ela conclui categórica:
-Ah, então você é um "plantor"!

Eu corri pra anotar a história e achei uma graça. Tempos depois falando sobre "aquisição fonológica do português" essa história me voltou à memória quando um aluno perguntou:

-Por que é que a criança produz tantos erros desse tipo?
- Como é que uma criança pode produzir palavras que ela nunca ouviu?
- Isso acontece em outras línguas, ou só no português?

Eu achei essas perguntas tão lindas quanto à conclusão da Estela. Mas vamos lá.

Esse tipo de "erro" é chamado de supergeneralização de estruturas regulares. A criança tem contato com uma regra (quem canta é cantor, quem trabalha é trabalhador, quem vende é vendedor), interioriza essa regra e a superaplica a todas as outras formas, criando vocábulos novos. O grande barato é que é exatamente através desses erros que percebemos a criança se distanciando das hipóteses de imitação e produzindo palavras que ela "cria" sozinha, sem nunca tê-las ouvido antes.

Ponto pro erro de novo! É através do erro e não do acerto que se pode notar a transparência da relação da criança com a língua que ela está adquirindo.
Você deve ter várias histórias como essa. Quer me contar?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Filosofia de Fraldas

Já que a Andreia tá contando uma da Isabel, bem recente, eu vou contar umas da Estela...
Esta sim... grande filósofa desde pequena...

Pouco antes dos 3 anos, ela no banco de trás do carro perguntou para mim: - Papai, o que é "Não Sei" ?

Quase bati com o carro!
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Outra da Estela uns 2 anos depois... demonstrando leituras profundas de Bakhtin...
- Mamãe... o que é que eu sou que eu não sei que sou?
(dei sorte desta vez a pergunta foi para a Andréia...)

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O que não é o que não pode ser


Isabel tem quase dois anos e um vocabulário de mais ou menos umas cinquenta palavras (mais da metade só eu, Rodrigo e a babá entendemos). Com elas, ela tem que se virar para pedir comida, brigar, implicar com os irmãos, avisar, brincar, reclamar e malcriadamente responder os mais velhos.

Outro dia, eu estava tentando estudar piano e ela escalando a mesa da sala de jantar.
-Isabel, desce daí.
-Não.
-Isabel, eu tô falando. Desce daí ou você vai se machucar.
-Não.
-ISABEL, DESCE JÁ DAÍ!
-NAAAAAAAÃO!
-Sim!
-Não
-Não, não o quê?
E ela filosofa:
-Não o sim!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A fonética e a professora







Estela estuda numa escola diferente. Poucas crianças na sala, sem provas (não sem avaliação), uma gostosura.
Outra dia, na reunião com os pais, a professora me disse:
-Estou tendo dificuldade em fazer com que as crianças entendam que antes de p e b usamos m.
Eu perguntei:
- E porque usamos m antes de p e b?
Ela parou, pensou e respondeu:
- ....
Eu esperei e ela produziu achando engraçado:
-Sei lá porquê. Sabe que eu nunca pensei nisso? É mesmo, deve ter um porquê.
Agora que ela já tinha um problema eu continuei:
-/p/ e /b/ são plosivas bilabiais, não são?
-São.
-E /m/?
Ela demorou um tempo:
-Claro! Bilabial também.
-Pois é. Os lábios devem estar fechados, ocluídos, para falarmos /p/ e /b/. O ponto de articulação é o mesmo para /p/, /b/ e /m/. Tenta falar /n/ antes de /p/ e /b/.
-Que legal! Não dá.
-Quando a gente descobre que a ortografia não é um balaio de gatos, a coisa fica mais fácil, não é mesmo?
-Andréia, você podia dar um cursinho sobre fonética e alfabetização aqui na escola.

Posso sim, Érica, é só marcar. Você já sabe que eu tenho essa bobeira: as coisa que gosto e acho interessantes gosto que a as pessoas que gosto gostem também.
http://www.uiowa.edu/~acadtech/phonetics/

Viva o livro brasileiro!


Marcelo Xavier foi a estrela de ontem do III Salão do livro lá no Centro Cultural.

Toda tiete, cheguei cedinho para que ele autografasse os livros que mais amo: Asa de papel (em português e em espanhol), Tot e Mitos.
Depois veio a Oficina de Ilustração com Massinha de modelar. Como diria a Fanny Abramovich: muitas gostosuras e bobices.
Marcelo é premiadíssimo aqui e fora daqui. É daqueles ilustradores que sabem que a linguagem pictográfica traz outros textos, aumenta a possibilidade de leituras e dá asas à fantasia.

Pra quem quiser conhecer mais do trabalho desse autor e ilustrador aqui vai a dica de uma palestra com ele:


ftp://200.244.52.185/BMA/INGEST1_66233449_1066233470_121kbps.zip

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Dia das Secretárias


Tcha, tcha tcha
Minha secretária

Tcha, tcha tcha
Minha secretária


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Don Juan


Henrique no carro com as irmãs. Vovó dirigindo e falando sozinha.
-Tenho que marcar o salão para pintar o cabelo. Já passou da hora.
Alice, como sempre, massacra:
-Uai, vovó. Você não acha que se Papai do céu fez você assim, com os cabelos branquinhos é porque ele prefere você assim?

Minha mãe engole seco, rateia, gagueja e resolve não responder.
-....
Mas a tirana insiste:
-Hein, Vovó. Você não acha?
Buscando sair pela tangente, a vovó pensa rápido:
-Vou pintar os cabelos pra eu ficar uma velhinha lindinha.
E busca adesão:
-Você não acha, Henrique, a Vovó uma velhinha lindinha?
E ganha um balde de água gelada:
-Não.
-Nossa, Rique. Você falava que achava a vovó uma velhinha lindinha. Não acha mais?
-Não. Não acho.
Vovó arrasada ainda esperneia:
-Não???

E recebe, então, o mais deicioso dos elogios:
-Acho você lindinha... não acho você velhinha.

sábado, 27 de setembro de 2008

Porgy and Bess

Olha só que bonito. Carlos Fernando e Marisa Monte cantando "Bess, you is my woman now" de "Porgy and Bess".
Carlos Fernando arrasa e até ofusca a irrepreensível Marisa. Acho até que ela dá umas rateadas nos agudos (chata, eu? cê ainda não viu nada).
Alguém sabe o nome desses "glissandos" que ele faz?
Gershwin é tudo!
A dica eu peguei do Desculpe a poeira

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Entre a cruz e a caldeirinha

Como conciliar postagens familiares como as daqui do Licor com Rebu, ou lá na comunidade da escola das crianças com as postagens deliciosamente sórdidas do Sergio Faria no Catarro Verde?

Aqui... o mais puro e bucólico ar familiar... lá um caldo fervilhante de um humor bem pesado somado à críticas ácidas e diretas.

Só consigo conviver nos dois espaços sem conflitos existenciais por que percebi que não preciso escolher um ou outro... posso ter e ser os dois!

É a pós-modernidade mesmo.

Tou dentro!

Dá-lhe Piaget

Eu e as crianças, voltando da natação da Teté. O clube é uma lindeza: gente de todos os esportes correndo, muitas flores, barquinhos, lagoa e até uns macaquinhos fofíssimos e completamente antiecológicos coitados, com estômagos lotados de pipoca, pirulitos e...chips. Minhas crianças adoram.
Nesse dia estávamos, eu e meus filhotes, andando e comendo os nutritivos fandangos e cheetos quando o Henrique, 3 anos, do alto do estágio pré-operatório dá o berro:
-Meu chips acabou, quero mais.
-Rique, você ainda têm dois cheetos, come esses que tá bom.
-Mas eu quero quatro, eu quero quatro, EU QUERO QUATRO!
E eu só consigo pensar:
-E agora quem poderá me salvar?
Rapidamente, parto cada um dos cheetos restantes em duas partes e....voilá!
-Pronto Rique, agora você tem 4 apetitosos chips.
-....
-....
-Oba! Obrigado, mamãe.

É isso aí. Salve São Piaget!