Mostrando postagens com marcador Gracinhas das crianças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gracinhas das crianças. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de setembro de 2009

Aniversário Dialético

Alice (6 anos) ontem chegou em casa explicando que na escola ia ter um ANIVERSÁRIO DIALÉTICO!

Ela se referia ao aniversário do Guilherme da turma da Isabel (3 anos).

Para o espanto de todos em casa, ficamos imaginando o painel, o bolo e as lembrancinhas que poderão ser distribuídas. Pensamos também nas fantasias de Hegel, Engels, Marx, Heráclito, Platão que as crianças vestiriam... poucas fantasias e apenas para meninos, mas a festa seria de um menino e isso não nos incomodou muito...

Como tudo o que a Alice diz é preciso reinterpretar e descobrir, insistimos, com base na improbabilidade de uma festa com essa temática, entendemos do que se tratava:

FESTA DO ATLÉTICO

Ainda não será desta vez que emergirá do povo um mundo dialético... di atlético pode ser... lamentável para um pai que nada sabe ou entende de futebol como eu.

Os pobres pensadores foram definiviamente trocados pelo futebol!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Alice no Hospital


Alice, há 12 dias internada com pneumonia, hoje já fora de perigo, com antibiótico certo, nova pediatra (nem me perguntem por que mudamos de médico...) depois de que os enfermeiros perderam o acesso à veia dela pela quinta vez em 10 dias...ela escuta no quarto do hospital:
- perdemos a veia dela...
e ela responde com a maior compreensão de uma santa criatura:
- Perderam? A minha veínha foi prá onde? Procura moça, procura!
Ela deve ter alta em mais dois ou três dias... está muito bem e muito impaciente de ter que ficar deitada longe dos irmãos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Minha terra... meu chão


Isabel adora o "chão". Explico: qualquer motivo é suficiente para fazê-la deitar o rostinho no solo. Eu acho que é pra sentir o toque friozinho e a dureza da pedra contra partes do seu corpinho que estão sempre em contato com a maciez: travesseiros, colchão, almofadas...

A coisa começou na mesma época em que ela inaugurou a fase da pirraça. Se jogou porque foi contrariada e aí descobriu as maravilhas de colocar a cara no chão.
A gente se preocupa, acha que ela vai se resfriar, pede pra que ela se levante, chama, grita... e por fim apanha a danada no colo. Aí... o que era puro deleite de ficar curtindo a terra, desencadeia a manha... o resto você já sabe... círculo: manha porque foi tirada do chão, retorno ao chão pela manha, delícia do toque da pele no chão, manha porque foi novamente tirada do chão, retorno ao chão pela manha...

Esta semana Vovó está visitando. Pois não é que a Vovó acordou de madrugada, foi à cozinha beber água e na volta... achou um ursinho de pelúcia quietinho, deitadinho no chão...

sábado, 11 de outubro de 2008

O lápis amarelo do Henrique

Há um ano atrás o Henrique estava sozinho comigo aqui em casa, no escritório e veio me pedir:

- Papaiêe, me dá aquele lápis?
- qual deles Ique?

- Aqueeeele aliiií, o marrrom...
- Este aqui? Peguei o lápis marrom no pote...

- Naaaaão... o vermelho!
- Este? Mostrei o lápis vermelho...

- Não... o verde... não, é o amarelo! É o lápis amarelo!

Peguei o lápis amarelo e ele ficou embaraçado... percebi que a coisa estava na cor certa desta vez, mas não era aquilo ainda... e ele não conseguia falar o nome do que ele queria...

Demorou um tempinho raciocinando... e disse:
- Me dá aquela escova ali.

Apontando para o pincel!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Chomsky no jardim lá de casa


Estela, com 3 anos observava o jardineiro "construir" o jardim da casa nova com aquela perguntação que vocês já conhecem:

-Que que cê tá fazendo?
O moço, mineiríssimo aceita o diálogo e responde:
-Tô trabalhando com as plantinhas.
-Você tá plantando?
-Isso mesmo!
E ela conclui categórica:
-Ah, então você é um "plantor"!

Eu corri pra anotar a história e achei uma graça. Tempos depois falando sobre "aquisição fonológica do português" essa história me voltou à memória quando um aluno perguntou:

-Por que é que a criança produz tantos erros desse tipo?
- Como é que uma criança pode produzir palavras que ela nunca ouviu?
- Isso acontece em outras línguas, ou só no português?

Eu achei essas perguntas tão lindas quanto à conclusão da Estela. Mas vamos lá.

Esse tipo de "erro" é chamado de supergeneralização de estruturas regulares. A criança tem contato com uma regra (quem canta é cantor, quem trabalha é trabalhador, quem vende é vendedor), interioriza essa regra e a superaplica a todas as outras formas, criando vocábulos novos. O grande barato é que é exatamente através desses erros que percebemos a criança se distanciando das hipóteses de imitação e produzindo palavras que ela "cria" sozinha, sem nunca tê-las ouvido antes.

Ponto pro erro de novo! É através do erro e não do acerto que se pode notar a transparência da relação da criança com a língua que ela está adquirindo.
Você deve ter várias histórias como essa. Quer me contar?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Filosofia de Fraldas

Já que a Andreia tá contando uma da Isabel, bem recente, eu vou contar umas da Estela...
Esta sim... grande filósofa desde pequena...

Pouco antes dos 3 anos, ela no banco de trás do carro perguntou para mim: - Papai, o que é "Não Sei" ?

Quase bati com o carro!
*************************
Outra da Estela uns 2 anos depois... demonstrando leituras profundas de Bakhtin...
- Mamãe... o que é que eu sou que eu não sei que sou?
(dei sorte desta vez a pergunta foi para a Andréia...)

*************************

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O que não é o que não pode ser


Isabel tem quase dois anos e um vocabulário de mais ou menos umas cinquenta palavras (mais da metade só eu, Rodrigo e a babá entendemos). Com elas, ela tem que se virar para pedir comida, brigar, implicar com os irmãos, avisar, brincar, reclamar e malcriadamente responder os mais velhos.

Outro dia, eu estava tentando estudar piano e ela escalando a mesa da sala de jantar.
-Isabel, desce daí.
-Não.
-Isabel, eu tô falando. Desce daí ou você vai se machucar.
-Não.
-ISABEL, DESCE JÁ DAÍ!
-NAAAAAAAÃO!
-Sim!
-Não
-Não, não o quê?
E ela filosofa:
-Não o sim!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Don Juan


Henrique no carro com as irmãs. Vovó dirigindo e falando sozinha.
-Tenho que marcar o salão para pintar o cabelo. Já passou da hora.
Alice, como sempre, massacra:
-Uai, vovó. Você não acha que se Papai do céu fez você assim, com os cabelos branquinhos é porque ele prefere você assim?

Minha mãe engole seco, rateia, gagueja e resolve não responder.
-....
Mas a tirana insiste:
-Hein, Vovó. Você não acha?
Buscando sair pela tangente, a vovó pensa rápido:
-Vou pintar os cabelos pra eu ficar uma velhinha lindinha.
E busca adesão:
-Você não acha, Henrique, a Vovó uma velhinha lindinha?
E ganha um balde de água gelada:
-Não.
-Nossa, Rique. Você falava que achava a vovó uma velhinha lindinha. Não acha mais?
-Não. Não acho.
Vovó arrasada ainda esperneia:
-Não???

E recebe, então, o mais deicioso dos elogios:
-Acho você lindinha... não acho você velhinha.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A vítima e o puxa-saco


Quem me conhece, sabe da confusão.
Acordar 05:30, pentear três cabeças, trocar duas fraldas, dar banho na Alice (quando ela faz xixi na cama), colocar os uniformes, escovar 86 dentes... Daí colocar 3 dos 4 no carro, amarrar os cintos, deixar na escola (que é do outro lado da cidade) às 7:00 e voar pro trabalho.
Normal...
Mas outro dia, ainda por cima rolava um stress (ou estresse) geral. E eu tive que fazer isso tudo debaixo de gritos, manha, pirraça e choro. Quando terminei de afivelar o cinto da última fera eu estava acabada... morta... um farrapo.
Só consegui, entre lágrimas murmurar:
-Não é possível, a mamãe está acabada. Olha o que vocês fizeram. Mamãe está exausta, triste, cansada. Como é que a Mamãe vai trabalhar, assim? Até o Rique, que é o menor, deu menos trabalho que vocês. Que absurdo!
Lá de trás a voz do Rique, que lisonjeado percebeu a chance de ascender na escala doméstica:
-É mesmo, Mamãe. Eu é que sou bom.
Respondi, com lampejos de raiva e ainda no papel de vítima:
-Fica na sua, Rique. Mas eu quero saber, respondam. Eu mereço isso? A Mamãe merece ser tratada assim?
E ganho, do Rique, que entendeu patavinas, a resposta que vale o dia:
-Merece, Mamãe. Você merece isso e muito mais.

sábado, 17 de maio de 2008

Ainda Grupo Corpo

Pelo jeito nós somos fãs de carteirinha do Grupo Corpo: DVDs, CDs, vontade de comprar as jóias da coleção da H.Stern... e tudo o mais... assunto único aqui em casa há mais de mês desde que soubemos da vinda deles à nossa cidade.

Mas artista mesmo aqui em casa é a Alice...

Esta semana ela desenhou no quadro de avisos um bailarino do grupo dançando o Parabelo. Percebam a necessidade de ela expressar pelo desenho o movimento do dançarino.

Hoje pela manhã, depois da sessão de ontem com as montagens: 7 ou 8 peças para um balet e Benguelê ela acordou e foi direto para o quadro desenhar outro bailarino, agora do Benguelê.

Ela mesma explicou o desenho: - são as mãos dele no ar papai!

Não é porque sou pai não, podem falar à vontade. Mas eu enxerguei o que ela queria dizer com isso!

Assistam ao balet e me digam se ela representou corretamente ou não... as vezes penso que tenho uma cubista aqui em casa... a simultaneidade é tudo!


sexta-feira, 16 de maio de 2008

Anima Mundi e Lecuona


A dica de hoje é o DVD Anima Mundi 4(2005) que traz uma seleção com os 10 melhores curtas do gênero no ano. Destaque especial para o alemão "Morir de amor" - Alice considerou o melhor de todos... adorou a canção tema (um bolerão daqueles!) e soltou a pérola:
- Já sei mamãe, este é igual àquele!
-Qual, filha?
E tirou da estante o Lecuona do Grupo Corpo.
E eu, como sempre, achei a coisa mais linda!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Maravilha de vocabulário


Vovó buscando os filhote na escola, dirigindo e gerenciando a briga no banco de trás:

-Rique , pára de implicar com a Estela.

- Não páro não.

- Pára, Rique. Por que cê tá mexendo com ela?

- Tô mexendo de sacolagem. É sacolagem mesmo!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

...pois a coragem cresce com a ocasião

Rique completa hoje 3 anos! O nosso ariano mandão preferido anda cada vez mais metido a independente. Em Brasília deu ordens bagunçou, pintou e rabiscou. Para Shakespeare: "quem não sabe mandar deve aprender a ser mandado" - Rique já nasceu sabendo!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Reflexões Gástricas

Alice na saída da escola:
_Mamãe!!!!
_Oi filha! Foi boa a aula?
-Mamãe, meu estômago tá falando que ele tá com fome....
_É mesmo, filha?
Sobrancelhas franzidas e a conhecida postura de reflexão:
_Meu estômago tá falando que tá com vontade de comer chips...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Quadrilha


Mamãe cutucando na mesa, jantando com os 4:
_ Teté, qual irmão você acha mais legal?
Teté, sempre politicamente corretíssima (dá até medo!)
_ ...... hummm.... não sei responder...
Continuo cutucando:
_ Rique, qual irmã você acha mais legal?
Nem me espera terminar a frase e lança, com expressão de absurda obviedade:
_ ALICE!
E a homenageada desdenha:
_ Rique, mas eu não gosto muito de brincar com você. Gosto de brincar com a Estela!

Quadrilha
Drummond

João amava Teresa que amava Raimundoque amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Alice em busca do tempo perdido




Naquele dia, quando eu ficar do tamanho da Isabel, eu vou puxar os bigodes da Genevieve.
Alice eufórica:
_ Quando a vovó Alba chegar vai ser engraçado! hehehe.
Mamãe curiosa:
_ Por que?
_ Porque ela vai tocar a campainha e encontrar todo mundo dessa casa morto.
Eu já desesperada, supondo uma profecia calamitosa:
_ Que isso, filha, quem falou pra você uma coisa dessas?
_ ........ Silêncio e testa franzida.
Mais tarde, pesquisando com o Rodrigo:
_ Ela perguntou hoje cedo "quando chega a vovó Alba?" e eu respondi "vai demorar muito ainda". Mas na semana passada ela tinha perguntado "você vai morrer?" ao que respondi "todos vamos morrer, mas vai demorar muito ainda".....
Sofismas....

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Teté filósofa


Estela puxando conversa.

_ Mamãe, podemos conversar?

_ Tudo bem...você pergunta e eu respondo.

_ Mamãe você percebeu que o livro "Marcelo, marmelo, martelo" é igual ao da "Ritinha danadinha"?

_ É mesmo, Estela, eu já tinha percebido... você entendeu isso sozinha, ou alguém te contou?

_ Entendi sozinha, Mamãe. É igual só que o Marcelo não fala que as palavras tem que ser de mulheres ou de homens...

_ É um jeito da linguagem brincar com a própria linguagem, né?

_ .....

_ .....

Estela entre pensativa e decepcionada (filosofando)

_ Já vi que esse assunto não rendeu muito....

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Cadê os Ipês Amarelos?


Ipê Amarelo by Henrique aos 2 anos


O Ipê Amarelo é tão belo

Nada se compara a ele

Parece assim

Sorvete com confete e marshmallow

Mas é mais que cor e salon

Ele é singelo


Mas singelo é pouco

Pro Ipê Amarelo

Não é a mais bela flor

Mas ele é belo

Parece suspito

O Ipê Amarelo


Doce de coco também é coco

É mais um coco o Ipê Amarelo

Parece um castelo colorindo a colina

A crina de um cavalo sob o sol de rapina


É o intervalo 1,2,3 a Curcurina

É algo que não se deromina

Estela e nobreza de fogueira acesa

alguém no seu trono

Uma realeza


Fosse animal, seria um cabelo

se mineral, ouro em farelo

Mas nada é tão claro

Nada é igual ao Ipê Amarelo

Nada é igual a esse tal

De Ipê Amarelo

Nada é tão claro

Nada é igual