domingo, 21 de setembro de 2008

O PIANISTA e as características do sobrevivente.

Ontem eu e Andreia assistimos ao DVD "O Pianista"

Vou economizar as questões de ficha técnica e sinopse do filme, que vocês podem encontrar em "O Pianista" que estão maravilhosamente explicadas no blog do "Adoro Cinema"

Começamos achando o filme chato, batendo na mesma tecla (é claro... é um pianista), com apelações demais para as maldades feitas com crianças, coisa que eu e Andreia sofremos de grande sensibilidade por motivos óbvios.

Mas eu gosto de insistir em filmes, pois sempre quero saber até onde vai o pensamento do diretor, nada menos que Roman Polanski, que nada tem de óbvio e chato.

O filme provou sua qualidade por ter ficado em nossa discussão por longas horas e fomos interpretando alguns fatos e chegando à algumas ótimas conclusões:

1- Chopin, o compositor das músicas principais deste filme, segundo minha mulher, é tido pelos pianistas como um autor "fino do brega" aquele que faz acrobacias com as notas "só para aparecer" e que tem dificuldade em terminar um assunto(ela sabe que vão acabar com ela por causa desta afirmação). Em toda formatura de pianistas tem sempre alguém que toca Chopin (perdoem-me a generalização) e que ele teria temas batidos demais... Esta conclusão nos fez pensar na genialidade do Polanski, que trouxe um tema que já foi explorado até a exaustão, que não pode deixar de ser lembrado para que não volte a ocorrer. Ou seja, assunto que não deve acabar nunca, como nas músicas de Chopin!

2- A capacidade de sobrevivência do personagem. Como se trata de história verídica resolvemos pensar nas qualidades de sobrevivente dele. Um cara quase "Forest Gump", meio que alheio ao
mundo e preocupado apenas em continuar vivo. Capacidade adquirida apenas porque ele foi separado da família, tivesse ele que se preocupar com alguém ou se mantido junto da família esta história não chegaria até nós.

A questão, no final, foi... e nós? Teríamos esta capacidade de sobreviver como ele, às perseguições, fome e solidão?

Andreia acha que não, ficar sozinha em um apartamento por 2 anos, em silêncio e com fome seria impossível para ela. Eu, penso que esta foi a parte fácil da coisa... minha dificuldade seria ficar pendurado em um telhado enquanto os caras atiram em mim e ter a incrível idéia de deitar ao chão e fingir de morto ao passar uma coluna de soldados marchando por mim.
Aí, o inevitável pensamento... e nossos filhos? Teriam a capacidade de sobreviver?

Eu disse que não, pois eles são desobedientes e a qualquer ordem de ficar quietos, serem rápidos ou de se abaixar eles perguntam antes de me obedecer: "- Por quê que eu tenho que fazer isso?" E isso me exaspera...

Mas, Andréia, mãe que é, acredita que sim e lembrou de um caso que ocorreu aqui há 3 semanas atrás: no domingo ao entardecer, estávamos no escritório, luzes já acesas e começou aquela revoada de cupins que aparecem nesta época do ano.

Foi aquela correria, apagar as luzes da casa, pegar potes com água para pegar os insetos nojentos, matar cupins no chão, coisa que eu e ela corremos por 1 hora para salvar nossa casa dos invasores alienígenas.

Quando a coisa acalmou ela percebeu que nossas crianças haviam sumido e estavam quietas e foi procurá-las... encontrou-as agrupadas em um canto mínimo do sofá da sala de televisão em absoluto silêncio. Na hora, ela não percebeu onde estava a Isabel, a mais nova, nosso bebê de quase 2 anos e perguntou: -Onde vocês colocaram a Isabel? E a pequena põe a cabeça para fora do bolo de crianças e diz, com aquele olhar e sorriso de quem não está entendedo nada : - achôooo!

É ... eu acho que eles sobreviveriam sim... mas prefiro que não tenham necessidade de provar nada!

3 comentários:

innername disse...

lol...
adorei ambos, o filme que já vi e a história paralela dos cupins vs teus filhos...A Isabel não me parece nada inocente. Até me aventuraria a dizer que ela esteve no comando das operações do esconde no sofá que está bom. As mulheres sempre conseguem ser ouvidas em tempo de guerra e cólera e dão optimas lideres no meio de meninos grandes. eheh
Um beijo extensivo à família Rodrigo
NinaOwls

............ ............ ............ ............ ............ ............ ... Rodrigo Vieira Ribeiro disse...

Oi Nina,

Não duvido que a menor tenha comandado as operações... hehehehe

Obrigado por passar por aqui e comentar.

Volte sempre!

Rodrigo

innername disse...

voltarei ;)